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Como conseguir clientes sendo gestor de tráfego: um método pra descobrir quem precisa de você agora

8 min de leitura

Você já leu a lista. Monte um portfólio. Poste no Instagram. Faça networking. Vá em evento e olhe crachá. Peça indicação. Cadastre-se numa plataforma de demanda.

É tudo verdade e nada disso é novidade pra você. O problema é que nenhum desses conselhos responde à pergunta que trava a sua segunda-feira:

Eu abro o Google Maps agora. Pra quem eu mando mensagem primeiro?

Isso é uma pergunta de seleção, não de motivação. E a diferença entre o gestor de tráfego que fecha e o que fica esperando indicação quase nunca está no discurso de venda. Está em quem ele escolheu abordar.

Este texto é sobre escolher.

Por que prospectar "empresas da minha cidade" não dá em nada

Você decide ir atrás de clínicas de fisioterapia na sua região. Abre o Maps, procura, aparecem noventa. Começa pela primeira.

Duas horas depois: quinze mensagens enviadas, duas respostas, e uma delas é "obrigado, já temos agência".

O problema não foi a mensagem. Foi a lista.

Naquelas noventa tem de tudo. Tem a que abriu mês passado e não tem verba. Tem a que já trabalha com um concorrente seu há dois anos. Tem a que tem site impecável e não precisa de você. E tem, escondida no meio, a clínica com quatrocentas avaliações no Google, nota 4,8, agenda cheia, e um site que leva nove segundos pra abrir no celular.

Essa última era sua. As outras oitenta e nove foram manhã perdida.

Só que, olhando a lista no Maps, todas parecem iguais. Nome, endereço, estrelinha. Nada ali te diz quem precisa de você.

Os sinais existem. Eles só não estão na tela que você está olhando.

Antes de continuar: pra que tipo de negócio isso serve

O método aqui embaixo se apoia em duas fontes públicas, o perfil da empresa no Google e o site dela. Isso define bem quem ele alcança, e é melhor você saber antes de gastar uma hora.

Funciona com negócio local que atende público final. Clínica odontológica, fisioterapia, veterinária, pet shop, estética, salão, restaurante, psicologia, pilates, personal trainer. São negócios que mantêm perfil no Google porque dependem de ser achados, e que acumulam avaliação porque atendem gente todo dia.

Não funciona com quem não vive do Google. Indústria, distribuidora, atacado, prestador B2B que só trabalha por indicação. Boa parte dessas empresas nem tem perfil no Google Meu Negócio, e quando tem, está zerado de avaliação. Você vai abrir a lista e encontrar o vazio. Não porque o método é ruim, mas porque a fonte não cobre esse universo.

Pra ir atrás desses, o caminho é cadastro oficial e busca por CNAE. Outro método, outras ferramentas, outro texto.

Os dois sinais que importam

Pra alguém virar cliente, duas coisas precisam ser verdade ao mesmo tempo. Não uma. As duas.

A pessoa tem um problema que você resolve. Site lento, mal ranqueado, quebrado no celular. Existe trabalho a fazer e existe um argumento concreto pra você chegar com ele.

E a pessoa tem dinheiro pra pagar. Um negócio com onze avaliações e nota 3,2 pode até ter um site péssimo, mas dificilmente tem caixa pra sustentar uma conta de tráfego.

O erro clássico é perseguir só o primeiro. Você acha uma empresa com site horrível, se anima, monta uma proposta caprichada, e descobre que o dono está sozinho, atende no WhatsApp e não tem oitocentos reais por mês pra investir.

O erro oposto também existe. Mirar só nas empresas grandes e bem avaliadas. Essas já têm agência.

A oportunidade está no cruzamento: negócio que claramente funciona, com presença digital que claramente não acompanha. É o negócio que ganha dinheiro apesar do site, não por causa dele. Esse dono sente a dor sem saber nomear, e tem como pagar pra resolver.

Como medir o primeiro sinal, de graça

O Google tem uma ferramenta pública chamada PageSpeed Insights. Você cola a URL de qualquer site e ela devolve quatro notas de 0 a 100: desempenho, acessibilidade, boas práticas e SEO.

Não custa nada, não pede cadastro, e roda no site de qualquer empresa. Inclusive nas que você quer prospectar.

Desempenho é o que mais pesa. É a nota que mede quanto tempo a página leva pra ficar utilizável. Abaixo de 40 no celular você já tem argumento. Abaixo de 25 o argumento se explica sozinho: é só abrir o site na frente do dono e deixar ele esperar.

SEO vem depois. Mede se o site tem título decente, descrição, estrutura de cabeçalho, imagem com texto alternativo. Nota baixa aqui significa que o negócio está invisível pra quem procura no Google, e isso conversa direto com o que você vende.

Acessibilidade e boas práticas pesam menos, mas contam. Site sem HTTPS, imagem sem descrição, contraste ilegível. Coisas que você resolve e que ficam visíveis.

Se quiser dar peso a cada uma pra comparar empresas entre si, uma distribuição que funciona é 35% pro desempenho, 20% pro SEO, e 10% pra cada uma das outras duas. Não porque o número seja mágico, mas porque reflete o que o dono efetivamente sente. Site lento ele percebe. Contraste de cor, não.

Algumas situações valem ponto extra na sua avaliação, porque são dor visível:

  • O site não abre direito no celular.
  • Não tem HTTPS e o navegador avisa "não seguro".
  • A empresa não tem site nenhum, só o perfil do Google.
  • Tem site e é uma página só, sem nada dentro.

Esse último caso é subestimado. Empresa sem site, com Google Meu Negócio ativo e movimentado, é dos melhores prospects que existe. A dor é máxima e a conversa é fácil.

Como medir o segundo sinal

O segundo sinal está no próprio Maps e você já olha pra ele sem prestar atenção: quantidade de avaliações e nota média.

Quantidade é o que mais importa, por um motivo específico. Avaliação é subproduto de atendimento. Um negócio com trezentas avaliações atendeu, no mínimo, alguns milhares de pessoas. Tem fluxo, tem operação, tem caixa.

Nota média separa quem tem fluxo e faz bem feito de quem tem fluxo e está queimando reputação.

Na prática:

  • Muitas avaliações e nota alta é negócio ativo e bem resolvido. Melhor prospect que existe. Tem dinheiro e tem padrão, então incoerência digital incomoda de verdade.
  • Volume razoável com nota acima de 3,8 é negócio validado. Prospect sólido.
  • Volume razoável com nota mais baixa tem tração e tem problema. Pode ser bom cliente ou pode ser dor de cabeça. Leia as avaliações antes de decidir.
  • Poucas avaliações é desconhecido. Pode ser novo, pode ser pequeno demais. Fim da fila.

Repare que isso não é um filtro de sim ou não. É um multiplicador. Site terrível num negócio parado continua não valendo sua manhã.

O método, na prática

Sem ferramenta nenhuma, só com o que é público e gratuito. Reserve uma hora.

Primeiro, escolha um nicho, não uma cidade. Fisioterapia. Veterinária. Escritório de advocacia trabalhista. Pet shop. Estética. A razão é simples: quando você fala com dez negócios do mesmo tipo, na décima conversa você já sabe o vocabulário, já sabe a objeção que vem e já tem um caso pra citar. Falando com dez negócios diferentes, você recomeça dez vezes.

Segundo, puxe a lista no Google Maps. Busque o nicho mais a cidade ou a região. Anote nome, site e número de avaliações. Trinta empresas bastam pra primeira rodada.

Terceiro, corte quem não tem caixa. Passe o olho na coluna de avaliações e tire quem tem pouquíssimas. Você provavelmente eliminou entre um terço e metade da lista. Isso é bom. É tempo que você não vai gastar.

Quarto, rode o PageSpeed no site de quem sobrou. Um por um, versão mobile. Anote desempenho e SEO. Marque também quem não tem site.

Quinto, monte a fila. No topo, quem tem muita avaliação e desempenho baixo. Depois, quem não tem site mas tem movimento. Depois o resto. Você vai terminar com algo entre cinco e dez nomes que valem contato de verdade.

Sexto, aborde com o dado na mão. E aqui muda de figura.

O que falar quando chegar

A diferença entre "oi, faço gestão de tráfego, tem interesse?" e o que vem abaixo não é técnica de venda. É que você chegou sabendo de algo que a pessoa não sabia.

Uma abordagem que funciona, em três frases:

Oi, [nome]. Vi que a [clínica] tem [número] avaliações no Google com nota [x], o atendimento de vocês é claramente bom. Aí eu abri o site no celular e ele levou [x] segundos pra carregar. Testei no PageSpeed do próprio Google e deu [nota] de 100 em desempenho no mobile. Isso costuma derrubar bastante gente antes de conseguir agendar. Salvei o resultado do teste aqui, quer que eu mande?

Repare no que essa mensagem faz.

Abre com um elogio verificável, não com bajulação. Apresenta um problema específico e mensurável, com fonte pública que a pessoa pode conferir sozinha. E termina oferecendo uma coisa pequena em vez de pedir uma reunião.

Não é truque. É consequência de ter feito a lição de casa antes de mandar mensagem. Você não está vendendo tráfego pago pra quem talvez precise. Está mostrando um número específico pra quem tem esse número específico.

E se a pessoa não responder, tudo bem. Você gastou dois minutos, não uma tarde.

Onde isso trava

Vou ser direto sobre o limite do método manual. Ele não escala.

Trinta empresas levam mais ou menos uma hora entre puxar a lista, rodar o PageSpeed um a um e montar a fila. Pra sustentar um fluxo de prospecção de verdade, algo como cem contatos por mês pra fechar um cliente, você está falando de três ou quatro horas por semana só selecionando.

Dá pra fazer. Muita gente faz. Mas é a parte do trabalho que menos aparece e mais consome.

Se você chegar nesse ponto e quiser tirar essa etapa da mão, é exatamente o que o Proseli automatiza. Ele varre o Google Places por nicho e região, roda o diagnóstico técnico de cada site, cruza com a reputação do negócio e devolve a fila já ordenada, com link de WhatsApp pronto e um kanban que cobra o follow-up de você.

Mas comece pelo manual. Trinta empresas, uma hora, uma planilha. Se o método não funcionar na mão, não vai funcionar automatizado. E você vai ter descoberto isso de graça.